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Monthly Archives: Julho 2012

Enfrentando a solidão

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Forever alone…

Que morar sozinho é uma delícia muitos sabem (ou imaginam), porém, como tudo na vida tem dois lados, às vezes bate a solidão. Vem aquela vontade de um pouco de atenção, carinho e cuidados. Quem não sente falta de chegar em casa, dar um abraço na mãe e correr pra mesa que está à sua espera com a comida quentinha? E daquele irmão pentelho falando abobrinha? E das histórias bizarras que cada um viu durante o dia? Pois é, de repente vem aquela vontade de simplesmente compartilhar os fatos que vivenciou, comentar sobre a novela, falar mal da vida alheia, falar até sobre a crise na Síria. Mas e não tendo ninguém, como é que a gente faz?

Eu, particularmente, ando pela casa falando sozinha. É um modo não só de organizar os pensamentos, mas também de evitar que eu me sinta só. Ligar a TV é outra tática que uso e que sempre funciona (principalmente nos canais de música ou seriados, parece que a casa tá cheia!). Ligar pra alguém só pra contar o que fez no dia também é um super eficaz, mas prejudica o bolso. Acontece que tem dia que nem fazendo tudo isso ao mesmo tempo eu escapo da solidão e aí só tem uma saída: comer chocolate. Comer MUITO chocolate. Juro. Eu recomendo a todos porque, apesar da sensação de bem-estar ser óbvia por causa da liberação de endorfina na corrente sanguínea, é incrível como depois de algumas mordidas tudo fica lindo e você agradece a Deus por sua vida ser tão perfeita.

E você? Conta pra mim o que faz pra espantar a solidão.

O que eu aprendi

Hoje eu parei pra pensar: faz quase um ano que moro sozinha, embora pareça muito mais. Nesses últimos meses muitas coisas se passaram e uma coisa eu afirmo: estou mudada. Acompanhe a seguir algumas destas mudanças.

– É impressionante como você  começa a desenvolver manias quando não divide o teto com ninguém. Eu, por exemplo, passei a ter mania de alinhamento. Todos os meus objetos têm de estar paralelamente alinhados (controle remoto, porta-retratos, livros, cremes, etc). Por que? Não sei te dizer, só sei que eu não era assim.

–  A TV se tornou minha fiel companheira. Quando chego em casa, antes de tirar a bolsa do ombro, a primeira coisa que faço é ligá-la. Incrível o poder que ela tem de preencher o ambiente e trazer conforto.

– Mesmo sem ter com quem disputar, tenho o meu lugar favorito no sofá.

– Nesses últimos meses aprendi que ter memória de elefante é imprescindível. Esquecer de pagar as contas na datas certas dão uma dor de cabeeeeça…

– Agora eu sei escolher as melhores marcas de detergente, amaciante e pipoca. Acredite, isso REALMENTE fez a diferença na minha vida.

– Ao telefone, falo como se não houvesse amanhã. Entendo isso como uma forma de compensar os momentos em que não tenho com quem conversar.

– Passei a dormir mais! Algumas vezes cheguei do trabalho e às 19h30 já estava encolhida na cama disposta a sair dela só 12 horas depois.

– De lá pra cá passei a tomar banhos menos demorados.  A conta de luz chegando com o meu nome ainda é um pouco preocupante.

– Descobri que, se você não sabe cozinhar ou tem preguiça, qualquer coisa refogada no azeite, alho e sal mata a fome.

– Aprendi que ter uma rotina de afazeres domésticos facilita muito a vida. Assim, você sempre terá as roupas lavadas e a cozinha em dia.

– E a transformação mais importante de todas: maturidade emocional. Não é fácil assumir o controle de uma casa sozinho, ainda mais sabendo que, no meu caso, a minha mãe está há dois mil quilômetros de distância de mim. Conviver com a saudade é um exercício diário, e se você não tiver equilíbrio, desiste fácil.